Aqui estou eu mais uma vez a escrever. Sobre o que, ainda não sei... Pensamento chegando e Dumn! (...) Poxa vida, Domingo passado foi dia das Mães, e eu me lembrei de um fato que me ocorreu quando eu ainda era uma criança. Acabei de lembrar de uma perola da minha infância.
Eu nunca havia apanhado, até aquele trágico dia... Todos os Sábados, assim como em todos os outros dias da semana eu acordava as 6 da manha (acho que tinha uns 7 ou 8 anos), Sábado era um dia de folga para a minha mãe, e ela só queria dormir até mais tarde naquele dia, mas eu insisti que eu precisava tomar achocolatado, eu à infernizei até vê-la levantar e ir preparar o tal bendito. E ela foi para a cozinha, esquentou o leite, transferiu o leite para o copo, adicionou o achocolatado em pó, mexeu, assoprou até esfriar, enquanto ela realizava todos estes procedimentos eu estava em sua cama, enrolado nas cobertas tocando o meu xilofone e analisando os objetos presentes no quarto, vi que tinha uma guarda-roupa, sapatos pelo chão, uma toalha branquinha no chão, um cabideiro cheio de roupas, um cinto na maçaneta da porta, e sob uma mesinha ao lado da cama tinha um pote de purpurina, então me veio a ideia de pegar a purpurina e colocar dentro do xilofone, para que ao bater/tocar o instrumento eu pudesse vê-la voar, foi neste exato momento que fui chamado para ir beber o meu "drinque infantil" na cozinha, mas eu queria toma-lo ali deitado na cama, e eu respondi que não iria, minha mãe ficou logo zangada, pois viu que não conseguiria voltar a dormir, mas ainda assim resolveu trazer o meu café da manha para a cama e foi cuidar das suas atividades do lar. Em quanto ela cuidava da limpeza dos outros cômodo eu acidentalmente derramei todo o leite com chocolate na cama, entrei em desespero, e sabia que não podia chama-la pois ficaria com raiva, imediatamente peguei o travesseiro e usei para limpar, então percebi que acabava de sujar a fronha do travesseiro também, avistei a toalha no chão e usei para esfregar a macha no lençol e com isso só aumentei o tamanho do estrago, não sabendo mais o que fazer pensei em esconder tudo, mas aonde? E como? Foi então que peguei o cobertor coloquei o travesseiro e a toalha sobre a mancha e logo em seguida cobrir tudo com o coberta, virou uma especie de monte, uma montanha, deste modo me sentei em cima do monte na esperança de afunda-lo, e deu certo, feliz da vida voltei a tocar o xilofone. Fiquei la por muito tempo, foi ai então que ouvi a sua voz dizendo: "o que foi que você aprontou que até agora não foi assistir TV?" E eu inocentemente respondi: "Não aprontei nada, estou dormindo", então ela disse que estava indo me ver dormindo, nem entrei em pânico pois eu sabia que ela nunca desconfiaria de nada (triste de quem não pensa). Ela só precisou aparecer na porta pra iniciar os gritos, o quarto estava todo brilhoso, por causa da fusão de purpurina com xilofone, e eu lembro que no meio dos gritos ela sempre dizia para eu me levantar, "levanta daí", "levanta agora", "vamos levanta", "anda menino sai daí', então ela disse: "você está me escondendo algo ai em baixo? Saí agora" e já foi me pegando pelo braço e colocando no chão, quando ela puxou o cobertor, pensa numa cara de terrorista que ela fez, me fuzilou com os olhos, o olho esquerdo dela tremia de ódio, um ódio misturado com surpresa, agustia e desespero, com certeza eu havia me superado na arte de pintar o sete, pense numa lambança, parecia que eu tinha passado era lama na cama inteira, tudo estava marrom. Ela perguntou o porque de ter feito aquilo, se eu não gostava dela, se eu queria mata-la, aquele drama de mãe... Foi então que ela disse que eu merecia apanhar, mas eu fui burro e disse: "VOCÊ SÓ SABE É DIZER QUE VAI ME BATER E NUNCA FAZ NADA" , pra que eu fui dizer isso? (Assinei minha carte de morte). Ela só puxou o cinto que estava na maçaneta e fez um movimento de chicote na direção na minha coxa, eu nem senti dor, só senti foi o mijo descendo pelas calças, e foi só uma cintada, só depois que se formou uma poça de xixi no chão foi que surgiu a dor, pensa na dor infernal, "cê tá é doido", foi a primeira vez que apanhei na vida, e como base na experiência, foi a última vez que apanhei na vida também.
Depois de tudo isso minha mãe, limpou o quarto, lavou as cobertas e ainda me deu banho chorando (isso mesmo era ela quem estava chorando) e me pedindo desculpas, e eu disse: "Não chora não mamãe, eu nunca mais vou fazer isso, eu prometo... A cintada que eu levei doeu mais em mim do que em você, então não precisa chorar!" Aí que ela chorou mesmo, hoje eu intendo o porque de suas lágrimas, amor de mãe é muito grande, e nunca é de sua vontade bater nos filhos, mas tem uns pirralhos que são abençoados de mais, e mesmo levando essa cintada não me tornei uma criança, ou adolescente, ou adulto frustado, e ainda penso que mereci muito aquela cintada viu.
Ah e quase me esqueço, aquele dia foi também a última vez que vi o xilofone, não sei onde ele foi parar, nunca tive a coragem de perguntar o fim ele tomou. kiki²